sexta-feira, setembro 01, 2006


Recordando o major Rosa Ferreira
Encontros/Reencontros

Como os companheiros de armas sabem, o coordenador deste blog passou a maior parte da sua comissão obrigatória em Angola deslocado em serviço na CCS, aquartelada na cidade do Luso (hoje Luena).

Por isso, o coordenador participa regularmente nos almoços de confraternização de ambas as Companhias. Assim aconteceu, este ano, ter confraternizado com o pessoal da CCS em Mafra. O grupo era grande, de modo que só na altura da despedida é que o coordenador do blog “Lumege” teve conhecimento de que, na sala, tinha estado a almoçar connosco – e já saíra – um filho do major Rosa Ferreira, responsável pela estratégia das Operações do Batalhão de Caçadores 2878 (infelizmente já falecido, como aqui noticiámos).

Desconhecendo o seu falecimento, os organizadores do encontro haviam enviado uma carta-convocatória também ao major Rosa Ferreira, como a todos os demais militares da CCS, à qual a família respondeu informando do triste desenlace.

Tendo nessa altura tomado conhecimento deste espaço na internet, o filho do major Rosa Ferreira escreveu uma mensagem sob o pseudónimo de “Justiceiro” que endereçou ao blog “Lumege”. Como segue:


Olá Zé Oliveira,
Sou o tal filho do Rosa Ferreira que foi ao almoço de convívio. A emoção foi muito forte pois reencontrei alguns amigos de que ainda me lembrava, nomeadamente o Carrulo meu Irmão de sempre .
Para todos um abraço

A mensagem é transcrita tal qual nos chegou (apenas foi corrigida para F maiúsculo a gralha na inicial do nome “Ferreira”). Também se manteve o carácter pessoal com que vem dirigida, embora o Zé Oliveira repita mais uma vez que este blog é colectivo, feito por todos (menos do que se desejaria…), apesar da inclusão do resumo do seu curriculum caricaturístico continuar teimosamente aqui na coluna do lado direito, por limitação técnica do coordenador que não sabe como removê-la.

Recordando Rosa Ferreira

Era um folgazão. Militar de carreira, sempre me pareceu adequar-se bem melhor à ideia que se tinha do militar miliciano.
Quando, a bordo do Vera Cruz (na imagem abaixo) que nos levava desde Alcântara até Angola, alguém decidiu quebrar a monotonia da viagem, surgiu entretanto um excelente pretexto: a travessia da linha do Equador, aquele momento geográfico em que se tem um pé no hemisfério norte e outro no hemisfério sul.
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Todos os passageiros do paquete foram convocados para o convés de modo que o “baptismo da passagem do Equador” (que incluía a quase totalidade de nós) fosse festivamente assinalado. E lembro-me bem do major Rosa Ferreira a vestir a pele de Neptuno, trajado a preceito, vestindo cores mais apropriadas de quem viesse das profundezas do inferno, tridente na mão, actuando à boa e lusitana maneira vicentina. Dos detalhes não me lembro, mas recordo-me de que choveu mangueirada sobre nós todos, coisa que pouco nos molestou, antes pelo contrário, porque o Equador é aquele sítio onde o calor tropical é mais tropical.

Tenho outras recordações do major Rosa Ferreira, meu vizinho da porta da frente na CCS do Luso, mas isso ficará para mais tarde.
Meu caro “Justiceiro”, gostaria que me enviasse o seu mail para o-oliveiradaserra®sapo.pt

O Carrulo era…
O Carrulo, referido no comentário, era o condutor do major Rosa Ferreira. Escolhido a dedo. Tanto, quanto foi escolhido a dedo para condutor do comandante o Eduardo Gomes, meu companheiro indispensável no desempenho técnico exigido pelas lides de edição do jornal Jamba.

Zé Oliveira