quinta-feira, janeiro 11, 2007

Mandem relatos de memórias!
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Não há por aí quem tenha coisas para contar? Afinal, nós fomos uma das poucas Companhias que conseguiram regressar com todos os homens vivos da guerra colonial! Portanto, não somos portadores de traumas que poderiam turvar-nos a vontade de querer contar coisas!
Então, por que não relatamos as nossas memórias desses tempos? Foram dois anos de experiências fortes em outros territórios que não conhecíamos, com outros hábitos e outras culturas, foram peripécias de guerrilha, foram amizades criadas, enfim, muito material que dá muito pano para mangas.

A existência deste blog só faz sentido, se houver mais volume de participação.

Nada receiem aqueles que porventura tenham menos jeito ou aptidão para escrever. Sempre que for necessário, nós colocamos as vírgulas no sítio e retocamos outros pormenores que necessitem disso.

Para contactar o coordenador do blog, basta clicar aqui na linha de baixo, em cima da palavra coment e escrever o que vos apeteça.

Até já.

2 comentários:

Antonio Pepe disse...

Sou um assiduo visitante do vosso blog, que aplaudo pois primite-nos recordar os tempos dessa guerra ,que embora imposta serviu para fumentar amizades sinceras e profundas, embarquei para Angola, em 21de setembro de 1963 e regressei em 5 de janeiro de 1966, pertenci á companhia de caçadores 504 e andámos pelo Negage Quelo, Lufico e Casa da Telha. recordo com muitas saudades todos os amigos dessa companhia, alguns como o Costa, o Norbrto, o furriel Silva,o Ledo, vamo-nos encontrando de vez em quando, mas há muitos que nunca mais os vi e gostaria de ver. para todos um abração e que sejam felizes, se quiserem podem contactar-me 962868943.

MAH-TRETAS disse...

Furriel Oliveira

O Lumege publicou, em 31 de Março, esta foto onde vemos o Abílio Henrique (de calções) conversando com Zé Oliveira, em plena parada do aquartelamento do Lumege, onde estava sedeada a Companhia de Caçadores 2544 (do Batalhão 2878).


O Zé Oliveira - diz-se naquele blog – passou uma parte da comissão no Luso, o que nos levou a ir ao nosso baú de recordações buscar esta foto para tentar saber se este furriel Oliveira que aqui está comigo é o mesmo que pertencia à CCaç 2544.
No verso da foto de baixo temos apenas a seguinte legenda:
Na boïte “El Pipo” com o furriel Oliveira – Luso, Angola – 17 de Março de 1971.
Se a memória não nos atraiçoa, El Pipo era uma espécie de bar no recinto da Feira Comercial do Luso, mas pela data a foto nada terá a ver com a referida Feira.
Será que o Oliveira é o mesmo?
Ficamos à espera que o Zé Oliveira nos diga qualquer coisa. Ou mesmo o Abílio Henriques.

Publicado por Jorge Santos - Op.Cripto em setembro 20, 2006 08:15 PM

Comentários
Só agora encontro este post. Não, não sou eu o Furriel Oliveira da foto. Também fui Furriel (e ainda sou Oliveira...) até reconheço algumas semelhanças fisionómicas com este da foto, também eu era gajo para entrar nessa tarefa de decorar um barzinho com bambus, mas a verdade é que nessa data que a foto tem registada, eu andava mais ocupado em mudar fraldas ao primeiro filho do que em beber copos no El Pipo.

Explicando:
O meu filho tinha nascido 10 dias antes, na maternidade do Luso. Em Fevereiro, talvez a meio do mês (ou um pouco mais de meio), o B.Caç 2878 (a que eu pertencia) mudava do Luso para Malange. A minha mulher estava grávida em final de tempo, portanto impossibilitada de nos acompanhar na extenuante viagem. Além de que no Luso tinha a vantagem de estar a viver uma gravidez acompanhada por um ginecologista que (por sorte!) era da sua terra (a Lousã) e em Malange, não conheceríamos nada nem ninguém. Mas eu tinha de fazer a viagem, até porque era o único responsável pelas traquitanas do jornal Jamba (do Batalhão) e interessava-me garantir um estaminé de jeito para instalar o jornal. Poderia ter metido férias para ficar a acompanhar a minha mulher no Luso, mas arriscava-me a, daí a três semanas ou um mês, encontrar todos os espaços do quartel de Malange ocupados pelos mais diversos serviços. Fiz, então, a viagem na coluna, montei as geringonças do Jamba num belíssimo espaço que tinha sido um bar, alinhavei a edição seguinte a traços largos e, dois ou três dias depois de ter chegado, regressei ao Luso ter com a minha mulher, que entretanto se instalara esses poucos dias em casa de uma colega, professora, para ter uma gravidez minimamente acompanhada. O meu filho nasceu a sete de Março (de parto provocado, pois o tempo de gestação já estava ultrapassado) e, no dia em que completou 15 dias (portanto no dia 22 de Março), fizemos os três a viagem. Primeiro de boleia na escaldante cabine de um camião até Henrique de Carvalho e, de seguida, na carreira aérea da operadora angolana. Lembro-me de que, quando desembarcámos em Malange, tomava o mesmo avião a Miss Portugal desse ano Riquita Bruheim (de Moçâmedes) que ainda cheguei a fotografar a subir para o avião.

Portanto: o da foto não sou eu, mas nesse dia eu estava no Luso!