sábado, maio 17, 2008

Notas para a história
Mais documentação

Continua a chegar-nos documentação que, uma vez mais, repescamos da zona de comentários para aqui. Pedimos ao responsável pela colocação deste material documental que nos forneça o seu contacto.

Se não erramos na interpretação, o autor dos textos que noa têm estado a chegar começa o texto seguinte aludindo ao facto de, em post anterior, termos chamado a este material "documentação histórica"

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»
HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas. Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas. Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas. Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha. Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro. Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que na entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença. Ali estava Che… A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda. As botas negras, impecavelmente limpas. Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha. Che Guevara, deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio. Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz. Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba. Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial. Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção? Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo. Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.» No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico . « Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu. Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.» Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo. Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens. Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros. Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.» Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade. Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos. Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville. Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) . Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão: « O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais. Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas … O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca… O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.» Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu: « Os cubanos falam demais.» Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo. Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

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Conacry,10 de agosto de 1961 Ref. 383/21/61
Hugo Azancot de Menezes
Recebida aos 24/08/61

Caro HugoEstimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde.Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.
1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP. Pelos vistos já estão a caminho de Léopoldville 3 toneladas de medicamentos, de medicamentos, os quais se destinam a CVAAR.
Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: “ Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a Léo ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere. Se for possível , é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo. Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a próxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. ( Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser . Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos -- Tu ,Boavida e Santos -,que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo.Pelo contrario.

d) Sondar , habitualmente , a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica . Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela “ é apolítica”, mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola.Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente ,sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN . Em caso de necessidade , essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT. Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias . Saúde para a tua família e para ti. Coragem , bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la , nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ

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Conacry,10 de agosto de 1961
Ref. 383/21/61
Hugo Azancot de Menezes
Recebida aos 24/08/61

Caro Hugo

Estimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde. Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.

1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP.Pelos vistos já estão a caminho de Léopoldville 3 toneladas de medicamentos, de medicamentos , os quais se destinam a CVAAR. Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: “ Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a Léo ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere. Se for possível ,é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo.Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a próxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. ( Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser . Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos -- Tu ,Boavida e Santos -, que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo.Pelo contrario.

d) Sondar , habitualmente , a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica . Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela “ é apolítica”, mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola.Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente ,sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN . Em caso de necessidade , essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT.Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias .

Saúde para a tua família e para ti.Coragem , bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la , nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ


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Your Ref: GMH/ CrOur Ref: MWKC/ JP/ N/7a

Mr. G . M. HOUSER,
AMERICAN COMMITTEE ON AFRICA,
4 WEST 40TH STREET,
NEW YORK 18, N.Y.,U.S.A.

Dear Mr. Houser,

Thank you very much for your letter of the 17th june, 1959. Our Angola friend about Whom Mr. Mboya talked with you When you met in America, is Dr HUGO MENEZES who Comes from portugese Angola, and we have been trying to one of the independent African countries so that he can be free to express himself.´His present adress is as above, and weShall be grateful if you can give him all the assistance possible. We are particularly glad to note that you are trying very hard to bring the portugese question before the United Nations. Dr Hugo will be very useful in thisrespect and i hope you will not hesitate to write to him.Looking forward to hearing from you in the near future.

With best wishes,

Yours sincerely,
M. W. KANYAMA
CHIUMEPUBLICITY SECRETARYNYASALAND AFRICAN CONGRESS


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DOLISIE, 3 DE MAIO DE 1971

PREZADO CAMARADA MONSTRO,

Apenas algumas linhas para vos enviar as nossas melhores e fraternais saudações. Muito grato ficamos pela sua carta - e não são estas curtas linhas que traço agora que vão constituir uma resposta à mesma. Oportunamente , escrever -lhe-ei uma carta maior. Creia que é meu desejo sincero que nos correspondamos. O filme feito aqui , quando da sua passagem por Dolisie , ainda não chegou. Estou muito admirado com este tempo de demora, pois que de costume recebemos os filmes depois de 2 a 3 semanas depois de tirados.A camarada Salete envia - vos miutos cumprimentos; espero que a receita saia boa.Por hoje é tudo. Aceite, prezado camarada,as minhas melhores saudações.

Cumprimentos à camarada Luiza.

Hugo(Hugo José Azancot de Menezes)


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GHANA BROADCASTING CORPORATION Broadcasting house,
P.O. ´BOX 1633 Accra,
Ghana 19th November, 1962
MY Ref . Nº DOB.295/120

Sir,

I have the honour to offer you new terms of engagement on Programme Contract in the Portuguese section of RADIO GHANA with effect from today. Duration of Engagement: - The engagement will be for a period of two years in the first instance but will be subject to renewal at the end of that time if you wish it and , if your work has been satisfactory.The engagement can be terminated by two months notice being given by either side or alternatively - on Radio Ghana´S side - by the payment of two months salary in lieu of notice. Salary: - Your salary will be £100 a month and will be subject to Ghanaian Income Tax and Compulsory Savings both of which will be deducted at source. The compulsory Savings is returnable.Accommodation: - Hard furnished accommodation - bungalow or self - contained flat will be available at Accra. The rent will be £90 per year. Leave : On completion of year` service you will be eligible for 36 days paid leave.Free Medical Attention : While on this engagement in Ghana you will be eligible to receive free medical and dental treatment.Duties : - Your duties will be to work as a producer and Announcer / Translator in the Portuguese Section of Radio Ghana assisting in edit: translating and announcing news bulletins, commentaries and programmes in Portuguese, in writing, preparing and producing material suitable for inclusion in these programmes; and for any assistance that may be requied of you for the general programme output in Portuguese or in English.You will be expected to work full time for Radio Ghana during outside activities such as commercial work or writing for the Press can be undertaken only with the permission of the Director. I have the honour to be, Sir, Your obedient Servant,

(W.F. Coleman) Director of Broadcasting
Dr. Hugo de Menezes,
Portuguese Section,
Broadcasting House,
Accra.



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MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO BRAZZAVILLE,
23 DE DEZEMBRO DE1965
DE ANGOLAM.P.L.A.TÉL. 49-15B.P. 2353

HUGO DE MENEZESP.O.BOX1633

BRAZZAVILLE ACCRA-GHANARÉPUBLIQUE DU CONGO
DEPARTAMENTO DE : PRESIDÊNCIA

Caro camarada ,

Informamos que é necessário enviar novamente fotografias e todos os elementos de identificação para o título de viagem. Aproveitamos a oportunidade para Desejar bom Ano Novo. Saudações revolucionárias. Vitoria ou mortePelo Comité Director Agostinho Neto- Presidente -A Força Do M.P.L.A. , RESIDE NO APOIO QUE LHE CONCEDEM AS CAMADAS POPULARES NO INTERIOR DO PAIS ( Conferência de quadros do M.P.L.A..- 3 a 10 de janeiro de 1964) LA FORCE DU M.P.L.A. RESIDE DANS LE SOUTIENS QUE LUI ACCORDENT LES MASSES POPULAIRES DANS L`INTERIEUR DU PAYS (conférence des cadres du M.P.L.A.- 3 au 10 janvier 1964)



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Mário de Andrade
14 Rue de Monastir Rabat, le 2 janvier 65
Rabat

Meu caro Hugo,

Embora tardiamente , Sarah e eu próprio formulamos os melhores votos para 1965, à família Menezes … “ sita em Accra”. Enviamos um telegrama (assinado pelo secretariado da CONCP) a saber exactamente quando pensavas fazer sair o primeiro número do jornal. Evidentemente, preparei algumas notas sobre a nova literatura e a revolução nas colónias portuguesas. Alem disso, penso que seria extremamente importante que o jornal fizesse eco regular das publicações da CONCP. Informo - te, a este respeito, que , em principio, terá lugar (passe o galicismo em Rabat, no fim desta semana a primeira reunião do comité preparatório da 2ª conferência das organizações - membros. Claro que mandarei o comunicado final.Como vão as démarches para o lançamento do jornal Faulha? Queres informar o DAMZ que “ Etincelle” chega-nos aqui via… marítima?Gostaria de obter a referência do livro sobre as relações económicas com Portugal, de que me falaste. Poderei continuar a expedir outros livros de que necessites para os teus estudos.Diz algo, brevemente.

Abraços doMário (Mario Pinto de Andrade)



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Your Ref: GMH/ Cr
Our Ref: MWKC/ JP/ N/7a

Mr. G . M. HOUSER,AMERICAN COMMITTEE ON AFRICA,
4 WEST 40TH STREET,
NEW YORK 18,
N.Y.,U.S.A.

Dear Mr. Houser,

Thank you very much for your letter of the 17th june, 1959. Our Angola friend about Whom Mr. Mboya talked with you When you met in America, is Dr HUGO MENEZES who Comes from portugese Angola, and we have been trying to one of the independent African countries so that he can be free to express himself.´His present adress is as above, and weShall be grateful if you can give him all the assistance possible.We are particularly glad to note that you are trying very hard to bring the portugese question before the United Nations. Dr Hugo will be very useful in thisrespect and i hope you will not hesitate to write to him.Looking forward to hearing from you in the near future.

With best wishes,

Yours sincerely,
M. W. KANYAMA CHIUMEPUBLICITY SECRETARYNYASALAND AFRICAN CONGRESS



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CORPO VOLUNTÁRIO ANGOLANO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS( C.V.A.A.R.)B.P.856, LÉOPOLDVILLE5 de Outubro de 1962

DR. HUGO DE MENEZESBUREAU OF AFRICAN AFFAIRSP. O. BOX M24
ACCRAGHANA

Caro compatriota,

Estamos a enviar-lhe cópia da resposta à carta em que nos pediam um endereço em Ghana para onde mandar medicamentos para os refugiados angolanos. Esperamos que não seja muito difícil remeter depois o estoque para LÉO.Pelo despacho nº 5781 de 2 de Outubro do primeiro Burgomestre de Lèopoldville, o C.V.A.A.R. tem já autorização oficial a partir de 10 de Setembro de 1962. Junto enviamos-lhe a credencial para actuar aí na medida do possível.Continua a aumentar o número de refugiados e há uma falta enorme de medicamentos tanto nos dez postos actuais ( Luali, Moanda- Banana , Boma, Matadi, Songololo, Moerbeke, Lukala, Kindopolo, Kimpangu e Malele) como no dispensário central. A segunda turma do curso de enfermagem começa no dia 8 deste com 42 alunos inscritos. Há quase mil crianças e adultos a frequentar já e inscritos nas campanhas de escolarização e alfabetização lançadas pelo C.V.A.A.R. Precisamos de dinheiro para transportar os medicamentos , etc.,à fronteira, manter os enfermeiros e alunos , livros ,etc.Para qualquer coisa que precisar daqui,
eis -nos ao seu dispor .

Cordialmente,
Deolinda Almeida


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Ref.69/B/62 Léopoldville,21 de 1962

Caro Hugo

Saúde Para que possas continuar a acompanhar os assuntos da nossa luta em especial ao desejado Front junto envio pelo Kassinda um dossier de todas as demarches efectuadas para prosseguimento do do acordo de principio aasinado entre Accra p elos três partidos que bem conheces. O dossier se destina ao presidente Krumah e por isso peço - te de o fazeres chegar ao destinatário . É nosso empenho para que essa entidade seja o juiz do processo e por essa razão pretendemos pôr -lhe ao corrente de todas as demarches efectuadas nesse sentido . Quanto ao governo do Congo tomamos agora uma posição séria. Apresentamos ontem um protesto ao Ministro de informação pelas noticias tendenciosas na Radio- difusão do chamado “Governo da República de Angola no Exílio” e seus “ministros “. Igualmente enviamos cópias do protesto ao Presidente da república, Primeiro Ministro do interior. Ultimamente a situação do refugiado em Léopoldville agrava-se pois que cobram actualmente para o “sejour “ 50 frs mensais. Já apresentamos também uma reclamação por tal facto porque achamos impróprio para com os refugiados que nada possuem. A situação no interior continua a mesma . Os nossos adversários continuam com as duas mentiras, simplesmente os 22 militares preparados não querem entrar no interior de Angola sem formação do verdadeiro Front . O soba da Sanzala muitas manobras utiliza para mante-los dentro mas parece nada resultar. Temos recebido muitas noticias do interior. O povo está exausto e impaciente com a desunião constante dos partidos. Esperamos que procures usar da tua influência junto do soba de lá para que a decisão penda para nós mesmo sem o Front. Esperamos que nos informes se há possibilidades de podermos mandar publicar ai o relatório do Padua . Agradecemos a informação ainda na volta do correio visto tratar-se de um assunto de importância e muito urgente. Eu não sei o se o Mário te falou desse assunto, mas posso assegurar-te que foi aprovado numa reunião do C.D ( comité director) a publicação do relatório. APublicação pretende-se que seja em brochura, se demora para não perder a actualidade , visto os relatos apanhados no depoimento da Onu terem sido já publicados por 250 jornais conforme noticia em nosso poder. Temos de andar meu caro. Desejo-te bom trabalho e muito êxito.

Aceite cumprimentos de todos.

Do amigo e compatriota
Graça


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GHANA BROADCASTING CORPORATIONBroadcasting house,
P.O. ´BOX 1633
Accra, Ghana 19th November ,1962
MY Ref . Nº DOB.295/120

Sir,

I have the honour to offer you new terms of engagement on Programme Contract in the Portuguese section of RADIO GHANA with effect from today.Duration of Engagement: - The engagement will be for a period of two years in the first instance but will be subject to renewal at the end of that time if you wish it and , if your work has been satisfactory.The engagement can be terminated by two months notice being given by either side or alternatively - on Radio Ghana´S side - by the payment of two months salary in lieu of notice.Salary: - Your salary will be £100 a month and will be subject to Ghanaian Income Tax and Compulsory Savings both of which will be deducted at source. The compulsory Savings is returnable.Accommodation: - Hard furnished accommodation - bungalow or self - contained flat will be available at Accra. The rent will be £90 per year.Leave : On completion of year` service you will be eligible for 36 days paid leave. Free Medical Attention : While on this engagement in Ghana you will be eligible to receive free medical and dental treatment. Duties : - Your duties will be to work as a producer and Announcer / Translator in the Portuguese Section of Radio Ghana assisting in edit: translating and announcing news bulletins, commentaries and programmes in Portuguese, in writing, preparing and producing material suitable for inclusion in these programmes; and for any assistance that may be requied of you for the general programme output in Portuguese or in English.You will be expected to work full time for Radio Ghana during outside activities such as commercial work or writing for the Press can be undertaken only with the permission of the Director. I have the honour to be,Sir,Your obedient Servant,(W.F. Coleman)Director of Broadcasting

Dr. Hugo de Menezes,

Portuguese Section, Broadcasting House, Accra.


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CORPO VOLUNTÁRIO ANGOLANO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS( C.V.A.A.R.)B.P.856,
LÉOPOLDVILLE5 de Outubro de 1962

DR. HUGO DE MENEZESBUREAU OF AFRICAN AFFAIRS

P. O. BOX M24
ACCRAGHANA

Caro compatriota,

Estamos a enviar-lhe cópia da resposta à carta em que nos pediam um endereço em Ghana para onde mandar medicamentos para os refugiados angolanos. Esperamos que não seja muito difícil remeter depois o estoque para LÉO.Pelo despacho nº 5781 de 2 de Outubro do primeiro Burgomestre de Lèopoldville, o C.V.A.A.R. tem já autorização oficial a partir de 10 de Setembro de 1962. Junto enviamos-lhe a credencial para actuar aí na medida do possível.Continua a aumentar o número de refugiados e há uma falta enorme de medicamentos tanto nos dez postos actuais ( Luali, Moanda- Banana , Boma, Matadi, Songololo, Moerbeke, Lukala, Kindopolo, Kimpangu e Malele) como no dispensário central. A segunda turma do curso de enfermagem começa no dia 8 deste com 42 alunos inscritos. Há quase mil crianças e adultos a frequentar já e inscritos nas campanhas de escolarização e alfabetização lançadas pelo C.V.A.A.R. Precisamos de dinheiro para transportar os medicamentos , etc.,à fronteira, manter os enfermeiros e alunos , livros ,etc.Para qualquer coisa que precisar daqui,
eis -nos ao seu dispor .

Cordialmente,
Deolinda Almeida

terça-feira, abril 08, 2008




  • E CHEGOU ABRIL


  • 25 de Abril


  • Esta é a madrugada que eu esperava

  • O dia inicial inteiro e limpo

  • Onde emergimos da noite e do silêncio

  • E livres habitamos a substância do tempo



  • Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, abril 07, 2008

Documentos históricos

Os textos seguintes foram colocados hoje por anónimo em comentário a um post de 3 de Maio de 2006.
Mesmo sendo anónimos, parece-nos que possuem inequívoco interesse documental. Como estamos convictos de que poucos leitores os iriam encontrar naquela data já distante quase dois anos, segue a sua transcrição:


O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário. Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.

Neste país, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a Casa dos Estudantes do Império juntamente com Mário Pinto de Andrade , Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.

Em Janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo (então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué), George Houser (director executivo do Américan Commitee on África), Al�o Bashorun (defensor de Naby Yola , na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais, Felix Moumi� ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões), Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.

Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez (actualmente embaixador do Congo em Paris), o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris (Naby Yola). A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa. Desta forma , Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.

Ainda em 1959 funda o movimento de libertação dos territórios sob a dominação Portuguesa. Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC, com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.

Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore, hoje Holden Roberto, com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos. De regresso ao país que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA (fundada a organização das mulheres angolanas) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara, Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida (esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe). A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .Na residência de Hugo, noites e dias árduos, passados em discussões e trabalhos nasce o MPLA (Movimento Popular de libertação de Angola).

Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA , possuindo Menezes o cartão nº 6, sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA . De todos , é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de Agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR (Centro Voluntário de assistência aos Angolanos refugiados). Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês. Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha. Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana, Armando Entralgo Gonzales.

Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português, e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola. Em 1966 é criada a CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe), sendo Hugo um dos fundadores. Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto.

Nesta sequência , Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana . Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo. Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a República Popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial à Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração. Em 1968, Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases, no interior do território Angolano, onde é alcunhado "CALA a BOCA" por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio. Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas. Saturado dos conflitos internos no MPLA, aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência, em 1972 parte para Brazzaville. Em 1973, descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna , foi , com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros, signatários do "Manifesto dos 19", que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa. Em 1974 entra em Angola, juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis (Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto, um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias). Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos. Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional, dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios. Em 1992 participa na formação do PRD (partido renovador democrático). Em 1997-1998 é diagnosticado cancro. A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
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Caro HugoSaúde para si e para a família.

Nós por cá tudo normal excepto a complicação dos disparates dos amigos da Firma UPA- PDA que se pretendem grandes vítimas do nacionalismo angolano quando é certo sofrerem do nacionalismo de ricos.

Deves estar ao corrente de que provavelmente na 2ª quinzena de Setembro se deve realizar o congresso popular para modificações disciplinares no nosso movimento. Como todos os membros do comité Director devem assistir a ele, era e à máxima conveniência que respondesse ao telegrama que o MPLA te enviou confirmando a minha aceitação da proposta do presidente Nkrumah e tua a fim de eu ficar a trabalhar em Accra.

Convém que me responda se recebeu o telegrama e quando conta que eu possa aparecer aí para também aqui se fazer um plano de trabalho de sorte a minha ausência mesmo inopinada não prejudique a boa marcha das coisas.Recomendações da minha família à sua.Abraço e saudações nacionalistas.

Ao seu dispor Leo , 30/08/ 1962
José Domingos
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Conacry,10 de agosto de 1961
Ref. 383/21/61

Hugo Azancot de Menezes

Recebida aos 24/08/61

Caro HugoEstimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde.

Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.

1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP. Pelos vistos já estão a caminho de Leopoldville 3 toneladas de medicamentos, os quais se destinam a CVAAR. Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: À Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a L�o ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere.

Se for possível , é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo. Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a póxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. (Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser. Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos - Tu , Boavida e Santos -, que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo. Pelo contrario.

d) Sondar, habitualmente, a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica. Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela é "apolítica", mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola. Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente, sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN. Em caso de necessidade, essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT. Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias. Saúde para a tua família e para ti.Coragem, bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la, nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ

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MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTA��O DE DE ANGOLAM.P.L.A.51,

Avenue Tombeur de Tabora

LEOPOLDVILLECOMIT�DIRECTORNACIONALISTAS ANGOLANOS

Transcreve-se a nota Nº .A/M/F enviada , em 10.11.1961, ao comité Executivo da União das populações de ANGOLA:


Como V.Exas. Sabem, em nove de setembro de 1961, uma esquadra da nossa organização militar, que se dirigia a Nambuangongo em missão de socorro às populações cercadas pelas tropas portuguesas , foi, pela traição, cercada e feita prisioneira por grupos armados da União das Populações de Angola que actuam no corredor de entrada e saída dos patriotas angolanos.

Desde aquela data até hoje, mantendo - se embora vigilante e tendo conhecimento , não sem revolta, dos maus tratos que foram infligidos por militantes da UPA aos nossos compatriotas, o comité Director do M.P.L.A. Esperou ver qual seria o comportamento dos órgãos dirigentes da UPA Diante desse crime de lesa - pátria e que enodoa o digno movimento patriótico do povo angolano.

O Comité Director do M.P.L.A. Faz o mais enérgico protesto contra esse acto anti - patriótico, que visa a enfraquecer a resistência armada do povo angolano e que introduz, por iniciativa da UPA, a luta fratricida nos campos de batalha de Angola. Sob pena desse "affaire" ser levado imediatamente ao conhecimento da opinião pública e dos organismos internacionais , o comité Director do MPLA - exige a imediata libertação de todos os nossos compatriotas; - exige a entrega de todos as armas, munições e demais bagagens - que foram retirados aos guerrilheiros daquela nossa esquadra ; e - responsabiliza, desde já , a União das Populaçõps de Angola pela - vida desses nossos valorosos compatriotas.

Na expectativa, subscrevemo-nos
Atenciosamente

(ass)
Mario Pinto de Andrade
Viriato da cruzMatias Miguéis
Eduardo dos SantosHugo de Menezes

segunda-feira, março 31, 2008




UM DOS EFEITOS DA GUERRA EM ANGOLA :

FOTO: WEBBLOGVOZDOSEVEN
Para Recordar
Destacamento Cameia
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Cerimónia do içar da bandeira


quarta-feira, março 26, 2008

OS TRÊS GLORIOSOS NA PONTE SOBRE O RIO LUMEGE


Na foto :
Henriques (O Tomarense); Zé Oliveira (o fundador do Blog "Lumege"; o do "Buraco da Fechadura"); Rocha (o homem da invicta e bela cidade do Porto)

A esta postagem do Abílio Henriques, acrescento que esta foto foi feita numa manhã em que fomos à lenha para a cozinha, cortada a poucos quilómetros do Lumege. A viatura de carga era, salvo erro, uma Berliet.

Z.O.


sábado, outubro 06, 2007

Contador foi recolocado
Acaba de ser reinstalado o contador de visitas, que estava inoperativo desde há bastante tempo, devido a causa desconhecida.
Como se perdeu a referência de números de visitas, mas considerando que havíamos registado 5.454 visitantes em 30 de Março de 2007, decidimos calcular uma média com os dados disponíveis. E, usando essa média, atribuímos 7.894 visiantes até à data de hoje. É a partir desse valor que o contador continua a contagem.
Chafinda era bonita
Armando Monteiro, que foi alferes do Batalhão que nos rendeu, é presença regular deste blog.

Infelizmente, devido a um desencontro de correspondência só agora chega ao nosso conhecimento esta achega acerca de Chafinda, em resposta a uma pergunta que lhe havíamos feito. Pedimos desculpa pelo desencontro e agradecemos mais esta colaboração.

Em Chafinda estava aquartelada a C.Caç. 2678, agregado ao nosso Batalhão. Ainda ficou, após o nosso regresso, pois tinha chegado a Angola depois de nós.


Chafinda era bonita, mas não recomendada para turismo. Pergunta-me se a foto da C.Caç 2678 foi lá tirada, por esse motivo lhe envio a foto do edifício principal do destacamento com uma HK 21 bem lá no alto do posto de vigia, e o emblema da C.Caç. 2678 bem pintado na parede.

A picada para Chafinda é que não era nada recomendável, pois era frequentemente minada, mas lá que era muito fotogénica também era verdade, veja-se o dramatismo da situação e o cenário em que as coisas se desenrolavam, onde estava a próxima mina, de onde viria o próximo tiro?

Mas vista do ar era outra coisa, trata-se de quedas do Rio Luena que corre para a Cameia a caminho do Zambéze, ou seja toda esta zona pertence já à África oriental, motivo da cobiça dos ingleses aquando da questão do mapa-côr-de-Rosa.

Armando Monteiro
Chegou correio
Este blog, embora criado essencialmente para estreitar as velhas amizades entre os membros da ex C.Caç. 2544, tem sido plataforma de encontro de outros que, não tendo sido nossos companheiros próximos nem familiares respectivos, aqui serão sempre bem recebidos.
Temos o maior gosto em ajudar aos reencontros.
Segue uma mensagem recebida hoje:

Sandra disse...
Olá a todos,

não sei se estão recordados de mim, mas o meu nome é Sandra Cabaços, filha de José Cabaços, deixei uma foto da 20ª Companhia no mês de Abril e recebi este fantástico mail tantos meses depois:

"Sandra,Você não me conhece mas, verifiquei na internet e encontrei algo sobre os trinta e oito anos passados do meu tempo de serviço militar e, naturalmente dos bons amigos que lá conheci , que foram os meus camaradas de armas. Mais ainda, quando eu vi na fotografia os camaradas e amigos que, inclusive eram do meu grupo de combate, que era o 1°, da 20ª C.Cmds, a saudade bateu forte!Diz ao teu Pai (Cabaços e Ruivo das Neves e aos outros) que eu sou o Furriel C.Cmd. Ramos Gonçalves.(...)"

Este senhor encontra-se no Brasil, fica aqui esta mensagem; caso alguém o deseje contactar, enviem-me um mail para sandra.cabacos@gmail.com que eu farei chegar a mensagem.
Cumprimentos a todos...
Sandra Cabaços

Sábado, Outubro 06, 2007

quinta-feira, setembro 06, 2007

Chegou correio
Alô CCS do B.Caç 2878!
O Armando Almeida, das Transmissões da CCS do B. Caç 2878, deseja estabelecer o contacto com os antigos companheiros de Angola, conforme se pode ler na mensagem que nos mandou. (Foram suprimidas as frases de carácter pessoal dirigidas ao coordenador deste blog, mas podem ser lidas nos comentários ao post de 17 de Maio de 2006).

Olá (...)
Desejos de boa saúde para todos os camaradas.
Continuo sem conseguir contactar com ninguém.
Enviei-lhe um ou dois e-mails mas aparentemente não os recebeu.
(...)
Já fui a Portugal três vezes (desde há cerca de um ano) mas continuo sem saber quem contactar.
(...)
Melhores cumprimentos!
O Primeiro Cabo Chefe do Centro de Mensagens da CCS do BAT. CAC. 2878
Armando Almeida


Resposta
Amigo Armando,
Não tomei conhecimento da chegada de nenhum mail seu. Mas, por vir de remetente desconhecido, poderei talvez tê-lo eliminado sem abrir.
Se desejar contactar-me, tanto por e-mail como por telefone, esteja à vontade! Terei muito gosto em comunicar consigo! Diga-me se tem skype. É mais prático e mais económico.
Segue o meu endereço de mail.

Diga-me concretamente quem deseja contactar. Por mail, enviar-lhe-ei os endereços que pretende. Tenho bastantes endereços, embora o pessoal das Transmissões esteja bastante omisso na listagem.

Abraço

Zé Oliveira

Nota final: Ler mais em 17 de Novembro de 2006



sexta-feira, agosto 24, 2007

Comentários já são possíveis
Durante algum tempo, foi impossível a colocação de comentários nos posts deste blog.

Estamos convictos de que o problema está ultrapassado, mas o melhor é fazerem daí a experiência...

(Contudo, os posts que estavam impossibilitados de receber comentários continual com essa impossibilidade. Se alguém quiser comentar algum dos teimosos posts abaixo, por favor faça-o neste post que está a ler ou num dos que vierem acima).

segunda-feira, agosto 20, 2007

Mais um testemunho de familiar do Sr. Costa
"Vivi no Lumege até aos 11 anos"
Mais um depoimento que nos chega,repassado de calor humano.
Contacte-nos quando quiser, João Garcia! E vá pensando em vir conviver connosco num dos próximos almoços anuais da C.Caç 2544!

"Senhor Costa à beira dos 100 anos!"
Fantástico, e é meu Avô! Chamo-me João Manuel Costa Garcia, tenho 45 anos, sou neto do Sr. Costa, e vivi no Lumege até aos 11 anos. Afortunadamente, tenho memórias vivas daquela bonita terra. Possivelmente lembrar-se-ão de João António Garcia e Graciete Costa (meus pais). Tinham um comércio junto ao campo de futebol, próximo da linha do caminho-de-ferro.

Recordar caras amigas
Ao navegar neste Blog tive oportunidade de recordar caras amigas há muito tempo longe do nosso convívio, outras infelizmente já desaparecidas. Com tristeza minha, não me recordo de alguns militares que compunham essa companhia, com excepção do sargento José da Conceição Rodrigues* e do Capitão Tangarrinhas, possivelmente por terem filhos que fizeram parte das amizades de infância. Tive conhecimento do vosso blog, à semelhança da minha prima Rute Correia, através de Josão Rodrigues, filho do sargento José da Conceição Rodrigues, que pela informação de que disponho, vos foi substituir no Lumege.

Não tenho muitas fotografias
Hoje vivo em Alverca com a minha esposa e filho e os meus pais e irmãos em Montes da Senhora, Concelho de Proença-a-Nova. Infelizmente não tenho muitas fotografias, ao contrario da minha prima, pois por ironia do destino não nos foi possível trazê-las, já que viemos para Portugal numa altura bastante conturbada (Agosto/75). Com certeza farei pesquisas e se algo me chegar às mãos, acreditem que vos farei chegar. Deixo também o meu endereço e-mail (jmcgarcia@netcabo.pt) para que alguém que consulte este blog e se lembre de nós, me possa contactar... Aproveito para vos dar os parabéns por esta excelente iniciativa.

Um grande abraço,
João Costa Garcia
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Chegou correio
Senhor Costa à beira dos 100 anos!
O texto abaixo entrou hoje como comentário a um post relativamente antigo.
Para evitar o risco de que passasse despercebido a grande parte dos leitores, é redimensionado aqui, com a repetição da foto a que faz referência, para facilidade de identificação das pessoas referidas.
Agradecemos à autora a amabilidade das suas palavras e ficamos à espera de mais colaboração sua, sejam recordações escritas ou fotos. E perguntamos-lhe: chegou a visitar o Lumege?
Como reside em Vila do Conde, fique atenta: em breve inserimos matéria que tem um pouco a ver com a sua terra de adopção. (Só ainda não entrou, por míngua de tempo...)
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Que alegria!

Chamo-me Rute Correia e nasci em Angola há 34 anos, mais precisamente em Carmona, mas com muitas raízes no Lumege, de onde é natural a minha mãe.

Só recentemente soube da existência deste blog e foi com curiosidade e alegria que toda a família, reunida, percorreu afincadamente toda esta página! E, surpresa das surpresas, ali estava a minha avó! Palmira Costa, a terceira a contar da esquerda, esposa do certamente conhecido Sr. Costa.
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Também figura na fotografia uma tia minha, Maria José Gomes, segunda a contar da direita, esposa do Sr. Gomes, como era conhecido. Ambos já falecidos.Pois bem, quem não conhecia o Sr. Costa no Lumege?

Sr. Costa completa 100 anos no próximo ano
É com grande alegria que informo, a quem o guarda na caixinha das recordações, que completará no próximo ano, a linda idade de 100 anos! Resistiu à perda da terra que foi sua durante anos e na qual trabalhou àrduamente. Nela viu nascer os seus filhos, Júlia Adelaide Costa, minha mãe, Osvaldo Costa, Filomena Costa, Graciette Costa, Julito Costa e Raúl Costa.Engraçado, que também temos fotografias dessa mesma festa, a festa que decorreu em Dezembro de 1970!

Quem me facultou o vosso blog, foi o Josão Rodrigues, filho do sargento José da Conceição Rodrigues, que pela informação de que disponho, vos foi substituir no Lumege.Com mais tempo, também enviarei fotografias que remontam a esse tempo.Actualmente, grande parte da família Costa vive em Vila do Conde, a família Gomes ficou por Lisboa.Muitos parabéns por esta iniciativa, (…).

Aqui fica o meu e-mail: rutemarine @ hotmail.com

Rute Costa Correia

quinta-feira, julho 12, 2007


Partimos há 38 anos

C.Caç.2544 marchando para o embarque no Vera Cruz. Esta foto faz hoje 38 anos


Faz hoje anos que iniciámos a nossa viagem de Lisboa para Angola, a bordo do paquete Vera Cruz.


A propósito disso, escreve-nos um companheiro de viagem (na ida e na volta) que pertenceu ao B.Caç.2877. São dele estas palavras: "(...) hoje para nós , e companheiros dos batalhões , é um dia histórico . (...) faz 38 anos que, há poucas horas , tinhamos deixado Lisboa , rumo ao desconhecido. E felizes os que regressaram. Já agora, saudade e sentida homenagem aos que lá cairam (...)


Adelino Martins

quarta-feira, julho 04, 2007

Confraternização da C.Caç.2544
Acampamento em Vila Real

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Emboscados no Hotel Mira Corgo, com esta paisagem mais convidativa para os olhos do que para progressões no terreno, os militares da C.Caç. 2544 e respectivos adidos familiares comprovaram que o Vague-mestre da Companhia não esqueceu a sua arte de bem alimentar o pessoal. (O furriel Nóbrega Faria não aparece na foto, porque passou o tempo todo na cozinha a garantir a qualidade da ração de combate).
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Como aprenderam que um militar está sempre de serviço, mesmo quando retempera forças, os garbosos operacionais guarneceram-se de granadas de morteiro, umas ofensivas e outras defensivas, que é como quem diz (que é bebo quem diz...): maduro e verde.
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Mas como em cenário de guerra todo o cuidado é pouco, manda a prudência que se verifique se as granadas estão em condições. Porque com tiros de pólvora seca nunca se ganhou nenhuma guerra.
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Como as granadas de morteiro são projécteis de tiro curvo, é preciso verificar se a calculadora funciona, porque é necessário calcular o ângulo de tiro com a máxima precisão.
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Mas o estratega adverte que pode muito bem acontecer que estas granadas sejam de efeito especial e, em lugar de tiro curvo, desenvolvam o efeito de zig-zag.
. Entretanto, constata-se que o síndroma da ferrugem que atacava nas oficinas auto se agarrou de tal modo à pele do responsável, que ainda hoje, volvidos tantos anos, se mantém evidente.
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Como é das regras castrenses, cabe ao comandante da Companhia prestar honras à bandeira.
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Embora seja admirado e respeitado por todos os seus homens, o comandante da Companhia não conseguiu evitar que lhe cortassem a cabeça

quinta-feira, abril 26, 2007

9 de Junho
Renovar abraços


É aqui (Hotel Mira Corgo) que renovaremos os nossos abraços no próximo dia 9 de Junho.
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.Como o Faria explicou na carta que mandou a todos, o nosso encontro será no coração da cidade de Vila Real, a cerca de 100 metros da Câmara Municipal.
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Quem desce a avenida principal do centro da cidade (Av. Carvalho Araújo), depara-se com um edifício um pouco austero, de granito, encimando uma escadaria também de granito. O hotel fica a cerca de cem metros da Câmara.


quarta-feira, abril 25, 2007

9 de Junho (Sábado)
"Operação garfo" é em Vila Real
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Naturalmente já todos têm em sua posse a carta informativa, incluindo os croquis que os conduzirão ao teatro das operações.
Mas para quem perdeu a cartinha que recebeu do Faria, aqui vai o essencial da Ordem de Serviço:
A confraternização/2007 da CCaç 2544 decorre este ano no Hotel Mira Corgo no próximo dia 9 de Junho (um sábado).
Programa
. 11h00 - Encontro à entrada do Hotel
. 12h00 - Visita à cidade em "trem" (quem enjoar não vai)
. 13h15 - Almoço
Preço por pessoa: 22 euros
Para mais informações:
Nóbrega Faria
- Telem. 919 400 400
- Telef/Fax 259 326 789

terça-feira, abril 24, 2007



25 de Abril
"Encontro com o passado"
Foram nossos contemporâneos em Angola


Há dias, a Sandra deixou aqui um curto comentário na sua qualidade de filha de um ex-combatente da Guerra Colonial e prometia editar no seu blog duas fotos do tempo em que, tal como nós, o seu pai combateu em Angola.

Agora, comunica-nos que já inseriu essas fotos no seu blog (http://bluestrass.blogspot.com). São estas que seguem, que aqui reproduzimos na esperança de que estejamos a reforçar a possibilidade de contacto com os fotografados, conforme ela pede.

1969 - grupo da 20ª Companhia de Comandos

A cantora Tonicha era madrinha desta Companhia, que integrava um seu irmão





1970 - CCAÇ 106 - R20 Caipemba (Angola)
Quem conhecer estes militares, por favor contacte sandracabacos@gmail.com

Entretanto, convidamos todos para uma visita ao blog da Sandra, e a ler excertos de uma peça de teatro que escreveu e publica "para festejar o 25 de Abril", conforme ela própria declara. A peça chama-se “Encontro com o Passado” e foi escrita em Outubro de 2001, contando a história de um locutor de rádio que se encontra (no tempo actual) a fazer uma emissão da noite de 24 para 25 de Abril.

segunda-feira, abril 23, 2007


Chegou correio

"Também estive em Chafinda"

A propósito de um testemunho aqui publicado acerca de Chafinda, chegou-nos a seguinte mensagem:


"Camarada, também eu estive em Chafinda de visita aos meus camaradas do Esq.Cav 403 (Dragões de Angola) quando éramos nós a prestar ali serviço. Tenho algumas fotos de lá com as quedas do rio Luena. Um abraço.


Tinoco"


Nota final:
Se o Tinoco quiser, mande-nos fotos das quedas, para publicarmos aqui. Pode enviar para:

sexta-feira, abril 20, 2007

Chegou correio
"Lumege" continua a ser ponto de encontro
O texto seguinte é uma mensagem que uma desconhecida nos enviou.
Sabemos que se chama Sandra, que tem 32 anos e se interessa por teatro, artesanato, música e literatura.
Não te esqueças, Sandra, de nos avisar quando colocares as fotos do teu pai na net! Também queremos espreitar!
Segue a carta dela:

"Olá!
Andava a pesquisar sobre a guerra colonial e encontrei o vosso blog. O meu pai também esteve em Angola nesta altura, aliás fez esta semana que passou 38 anos anos sobre essa data, ainda hoje é dificil para ele falar de algumas coisas, mas finalmente este ano consegui convence-lo a procurar pessoas da sua companhia. Em breve no meu blog vou colocar 2 fotos, das dezenas que ele tem. Com mais calma voltarei ao vosso cantinho para ler com atenção os vossos post's.
Melhores cumprimentos.

Sandra"

O blog da Sandra: http://bluestrass.blogspot.com

sexta-feira, março 30, 2007

Contador de visitas mais à mão

O contador de visitas, que estava cada vez mais inacessível porque cada vez mais "soterrado" pelos conteúdos, foi agora transferido aqui para a coluna da direita, logo abaixo dos Links.

Aproveitamos para assinalar que, desde o dia 26 de Janeiro de 2006, data do início deste blog, houve até este momento 5.454 visitas. Número assinalável, tendo em conta a dimensão restrita do universo que aqui se reflecte.

Não deixa de ser curioso que grande parte das visitas sejam feitas por pessoas alheias ao grupo de ex-militares da nossa Companhia, alguns deles tentando encontrar através deste espaço os seus antigos camaradas. E desejamos que tenham sempre êxito.
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Nota para uma foto
O Senhor Correia
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Texto de Abílio Henriques

Para animar este canto, gostaria de relembrar que a tia a que se reporta a foto e o texto do penúltimo post era a esposa do Sr. Correia.

Quem era o Sr. Correia? Era o proprietário do supermercado a poucos metros da casa do Administrador do Lumege, que abastecia o depósito de alimentos do nosso quartel com produtos frescos e outros.

O Sr. Correia era visita assídua da Companhia 2544 e por vezes bebia uns copos com a malta.


Foto (do album de Abílio Henriques) no dormitório da Messe de Sargentos (camarata dos Furrieis).
Da esquerda para a direita: Faria (de branco); Santos (acima); Alf. Almeida (?) (encoberto, em baixo; Alho (ao centro); Gonçalves (à dir da máq. fot.); Abílio Henriques (a espreitar); Hipólito; Fernandes (de pé)
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Atenção, pessoal da C.Caç.504
Antonio Pepe procura camaradas

"Sou um assiduo visitante do vosso blog, que aplaudo pois primite-nos recordar os tempos dessa guerra que, embora imposta, serviu para fomentar amizades sinceras e profundas.

Embarquei para Angola em 21de setembro de 1963 e regressei em 5 de janeiro de 1966, pertenci á companhia de caçadores 504 e andámos pelo Negage Quelo, Lufico e Casa da Telha.

Recordo com muitas saudades todos os amigos dessa companhia. Alguns como o Costa, o Norberto, o furriel Silva, o Ledo, vamo-nos encontrando de vez em quando, mas há muitos que nunca mais os vi e gostaria de ver. Para todos um abração e que sejam felizes. Se quiserem podem contactar-me pelo telemóvel 962868943".

Nota do blog Lumege
Este blog tem sido ponto de encontro, já por mais de uma vez. Portanto, não nos admiraríamos que algum dos camaradas de António Pepe nos esteja a ler. Ou mesmo alguém que, não o tendo acompanhado naquelas andanças militares, poderá ter um familiar ou amigo cuja passagem por Angola se enquadra nas datas e localidades referidas. Se assim for, pode ajudar António Pepe a abraçar os seus companheiros dos idos tempos de juventude. E tem duas maneiras de o fazer: ligar para o nº de telemóvel que está acima, ou contactar este blog clicando na palavra comments (linha abaixo).

quinta-feira, março 08, 2007

Mensagem do Brasil
Lembram-se da Fernanda Brásio e da madrinha?
Lembram-se? Só por este reencontro que proporcionámos, já valeu a pena existir este blog.
Entretanto, um sobrinho desta senhora escreveu-nos do Brasil a contar como ficou emocionado por ter reencontrado aqui a sua tia. Pode ler-se abaixo da foto.
Entretanto, descendo no blog até 29 de Março de 2006, pode reler a história do reencontro de Fernanda Brásio com a sua madrinha.
Escreva-nos mais vezes, Dulcídio! Conte-nos coisas dos seus tempos do Lumege!
Brevemente publicaremos mais fotos dedicadas a si.
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"Que saudade.
Gostei demais ver a minha tia com sua afilhada. Eu sou neto do velho Santos Pais do Lumege.
Sou natural do Lumege estudei lá a primária depois fui para o Luso para o colégio de S. Bento. Fiz o serviço militar na FAP em Saurimo e depois no Luso.
Vão colocando fotos do Lumege pois eu não tenho nenhuma, pois ficaram na minha casa que foi tomada. (Não vou culpar ninguém).
Estou actualmente no Brasil. Mas meu coração nunca saíu de Angola.
Um abraço para todos".


Dulcídio Ribeiro
Uma escola nova no Lumege

Uma escola de seis salas de aulas no município de Lumeje-Cameia é um dos dois empreendimentos de destaque a serem construidos este ano na província do Moxico. O outro é a cosntrução de um hospital municipal dos Luchazesb.
Estas obras fazem parte de um conjunto de quatro novos empreendimentos sociais a serem erguidos no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Básicos às Populações.

Outras obras no Leste

Serão também adjudicadas as obras de construção de mais uma escola com três salas de aulas na comuna de Lago-Dilolo (Luacano) e um centro de saúde na comuna de Lucusse.
A informação é do jornal electrónico AngolaPress, edição de hoje, oito de Março.

terça-feira, março 06, 2007

Lumege-Angola 1969-1971


O INSTINTO

Texto de Fernando Hipólito
Foto e distintivo da colecção de Abílio Henriques

Eu nunca tinha ouvido falar em G.E. (Grupos Especiais, constituídos por nativos recrutados para apoio da tropa portuguesa). Vi-os no Lumege no primeiro dia de chegada, e no segundo dia já tínhamos ordens para fazer segurança a uma picada, por onde passaria uma coluna com militares da nossa CCAÇ, que iria render outra CCAÇ mais antiga.




Os capitães, (nosso e da CCAÇ que estávamos a render) decidiram enviar GEs para uma determinada zona do percurso nessa noite.


Na manhã seguinte, partimos nas viaturas que nos iam deixando no percurso, para fazer a respectiva segurança na ida e regresso. Por coincidência, a minha secção ficou no mesmo local onde tinham sido colocados GEs sem nós sabermos. Eles escondidos, e nós em fila patrulhando a picada. De repente, a 3 metros de mim, um barulho. Viro-me rápidamente. Vejo uma cabeça de africano com um boné de pele e... ainda hoje estou para saber por que não disparei.



Era um dos GEs, que apareceu todo sorridente, como se nada tivesse acontecido.



Este episódio jamais esquecerei. Sensibilidades...


Grupo de combate do alferes Freitas (de bigode) com
aguns GEs incorporados. Na linha da frente, ao centro, o Calixto

Agora, aqui só para nós:
Isto aconteceu após a barracada do Alferes Almeida na nossa primeira saída. Ele recusou-se a sair, e os capitães enviaram os GEs para um sítio chamado "bananeiras", onde aconteceu o que aqui descrevo.

domingo, fevereiro 25, 2007

Buraco da Fechadura

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Mandem relatos de memórias!
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Não há por aí quem tenha coisas para contar? Afinal, nós fomos uma das poucas Companhias que conseguiram regressar com todos os homens vivos da guerra colonial! Portanto, não somos portadores de traumas que poderiam turvar-nos a vontade de querer contar coisas!
Então, por que não relatamos as nossas memórias desses tempos? Foram dois anos de experiências fortes em outros territórios que não conhecíamos, com outros hábitos e outras culturas, foram peripécias de guerrilha, foram amizades criadas, enfim, muito material que dá muito pano para mangas.

A existência deste blog só faz sentido, se houver mais volume de participação.

Nada receiem aqueles que porventura tenham menos jeito ou aptidão para escrever. Sempre que for necessário, nós colocamos as vírgulas no sítio e retocamos outros pormenores que necessitem disso.

Para contactar o coordenador do blog, basta clicar aqui na linha de baixo, em cima da palavra coment e escrever o que vos apeteça.

Até já.
Título do filme:
Final Feliz
Texto de Abílio Henriques
Foto do album de Fernando Hipólito

Abílio Henriques, autor deste relato, é o do meio (em baixo), ladeado pelo coordenador deste blog (em cabelo) e pelo Santos. Na fila de trás e da esquerda para a direita: João Miranda (o mais alto, de óculos), um furriel cujo nome o coordenador não recorda, Numídio (de óculos), Fernandes, Hipólito (sorrindo), Alho (mão no bolso) e Gonçalves.
Estão aqui quase todos os furrieis da C.Caç 2544, fotografados durante a atracagem que o Vera Cruz fez na ilha da Madeira
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Numa operação que tinha como objectivo a recuperação de armas do movimento nacionalista que operava na zona (recuso-me a chamar-lhes terroristas), cabe-me uma missão na qual levo comigo um nacionalista que iria indicar-me o local onde estariam as armas. Chegados a esse local, é-me comunicado que seria necessário atravessar o rio, para isso seria preciso ir buscar uma canoa que estava dentro de água, etc etc.
Bem, lá aparece a canoa e embarcamos rio abaixo. Só que o nosso amigo (de calções, descalço, tronco nu) debruça-se na borda da frágil embarcação e mergulha no rio dando origem a que eu, todo vestido, carregando o armamento normal para a ocasião, mergulhasse também dentro das águas do rio Lumege num sítio onde por sinal a corrente era forte.

Naquele momento já não queria saber de armas, a minha preocupação era saír dali vivo! A muito custo lá saí do rio, dei uns tiros mais para avisar a malta que estava comigo (um pouco afastada) de que alguma coisa se passava, e depois de mais de meia hora a andar com água até ao pescoço lá consegui chegar ao ponto de partida, sentindo-me naquela altura exultante porque dois seres humanos continuavam vivos: eu e o guia.

Foi uma aventura com final feliz.


domingo, dezembro 31, 2006

No município de Lumeje - Cameia, vai ser construída uma escola com seis salas de aulas e um centro de saúde.
A iniciativa insere-se no âmbito do Programa de Investimentos Públicos e foi divulgada no Conselho da Província do Moxico reunido sexta-feira última no Luena, ( ex Luso) na sexta sessão extraordinária que apresentou o Orçamento Geral do Estado para o exercício económico 2007/08. Orientado pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos santos "Liberdade" o encontro decidiu construir .A reunião recomendou a direcção provincial do comércio e da agricultura a estudarem mecanismos mais expeditos que visam a comercialização no próximo ano de produtos da cidade no campo e vice-versa.Aconselhou que este estudo deverá incluir as formas da aquisição de tractores de esteira e duas máquinas descascadoras de arroz, para a preparação da campanha agrícola que se avizinha.Relativamente ao sistema de barbarização dos salários dos funcionários públicos, a reunião concluiu ter havido contactos a nível central para a abertura de mais balcões do Banco de Poupança e Crédito (BPC) nesta província para evitar enchentes registados no único balcão existente.A sexta sessão extraordinária tomou conhecimento do projecto de construção de pontes de madeira e metálicas na província, pelo programa alimentar mundial (PAM), tendo constatado cinco pontes por concluir.O encontro autorizou a tercialização dos mercados existentes na cidade do Luena aos empresários interessados para a sua melhor gestão.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Continuação de "Eu estive em Chafinda"
Alguém os conheceu?
Não fizemos grande habilidade em acertar que este nosso visitante cá do "sítio" estaria provavelmente no estrangeiro. A mensagem não trazia acentos nem cedilhas, portanto, elementar, meu caro watson!

E isso mesmo, estou fora de Portugal desde 1975, embora faça visitas frequentes. Estou a residir nos arredores de New York. Como tempo é coisa que vou tendo com abundância, passo algum passeando por sites que têm algo a ver com o meu passado. Quando estive em Chafinda, o alferes era o Nelson e os furrieis de infantaria eram o Moura e o Baptista, não sei se conhecem algum deles. A minha secção (artilharia) era composta por tropa nativa. Uma boa noite e até uma próxima.

Jose Maciel


Não será muito provável que alguém da 2544 tenha conhecido os camaradas apontados abaixo, mas não é impossível. Alguém conheceu?

As Boas Festas do Abílio Henriques

(...)Vou aproveitar para deixar aqui um comentário relativo ao período que se avizinha. Não se lembram? Eu recordo os Natais (dois) passados no Lumege, as duas primeiras vezes que não passava o Natal com a minha família. Em contrapartida foram passados com uma segunda familia extraordinária, sim os camaradas, todos exemplos de tudo quanto tem de bom a raça humana, companheiros amigos, foi com eles que aprendi a ser homen, a sentir o que é a amizade fraterna, a palavra amiga nos momentos mais difícies.

Então desejo a todos que tenham um santo NATAL e que o próximo ano lhes traga as maiorse venturas e alegrias. Um braço fraterno para todos.

Abílio Henriques

segunda-feira, dezembro 18, 2006

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Segundo o jornal electrónico AngolaPress de ontem:
Novo administrador municipal do Lumege-Cameia
Relançamento do sector agrícola é uma das prioridades

O novo administrador do município de Lumege-Cameia, Rodrigues Chipango Sacuaha, nomeado na semana passado, no quadro da remodelação governamental realizada na província, foi apresentado hoje a população local.

Na ocasião, o governador Provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", ao apresentar o administrador apelou a população a colaborar exercício do seu mandato.

Rodrigues Sacuaha que até então era o primeiro- secretário Provincial da JMPLA no Moxico e chefe de Departamento dos Desportos da direcção local substituiu ao cargo, Noa Augusto que agora passa a responsavel da Comissão Provincial Eleitoral.

No mesmo acto, o governador provincial apresentou igualmente, o administrador municipal adjunto daquela circunscrição, Benjamim José.No primeiro contacto com a população de Lumege-cameia, o novo responsável adiantou que o saneamento básico, reabilitação e construção das infra-estruturas sociais constitui a prioridade do seu programa de acção.

O relançamento do sector agrícola e a mobilização da população para aderirem aos postos de registo eleitoral são entre outras preferências de Rodrigues Sacuaha.

Localizado a 102 quilómetros a leste do Luena, o município do Lumege-Cameia conta actualmente com mais de 45 mil habitantes na sua maioria camponeses e pescadores.
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Acaba de nos chegar este apontamento das memórias de um leitor do blog Lumege.
Bom seria que ele mandasse outras evocações dos seus tempos de Angola! Ele e outros!
(É certo que o Abílio Henriques mandou um relato há uns meses atrás, mas infelizmente perdeu-se aqui entre os bytes e os bits do computador... Falta de cuidado e de organização do coordenador do blog, está bom de ver!... Mas quando eu reencontrar o Abílio pago a multa sob a forma de um almoço e depois ele refaz o texto. Combinado, Abílio?).
Outta coisa: Algo me diz que o José Maciel está fora de Portugal. Acertei?

José Maciel:
"Eu estive em Chafinda"
Eu estive em Chafinda de Março a Junho de 1971, pertencia a BTR 522, sediada no Luso. Em Chafinda tínhamos um furriel, um cabo e uns 4 ou 5 soldados para operar o obus 88. Estávamos anexados a um pelotão de infantaria, cuja companhia estava no Léua. A nível de soldados e cabos, todo o pessoal era da Madeira. O alferes e os furrieis eram do continente. O local era "bonito" mas a picada para o Léua era muito quente.

José Maciel
ex-furriel miliciano da BTR 522

domingo, dezembro 03, 2006

O contador anda envergonhado
Já passámos as 4250 visitas

Como certamente sabem, o contador de visitas está alojado lá em baixo, mesmo au fuuuuuundo do blog. Mas, à semelhança do que tem acontecido com outros blogs, também o nosso contador sofreu um ataque de trangolomango.
Creio que a coisa é como as gripes: ataca, chateia um bocado mas depois passa. Pelo menos foi assim no Buraco da Fechadura (e noutros sítios).
Entretanto, para saberem como vai (ou não vai) isto de visitas, vão lá abaaaaixo ao contador e cliquem sobre a palavrinha STATS. Contornam assim a dificuldade. Porque, embora não seja visível, o contador está a trabalhar (até mesmo hoje, que é domingo!)

Z.O.
...até que enfim!...
Consegui apagar o meu curriculum

A coisa tinha um bocado de mau aspecto. Nunca ninguém comentou isso para comigo, mas não o fizeram creio que por delicadeza. Refiro-me ao inoportuno aparecimento do curriculum da minha vertente de caricaturista aqui na coluna ao lado direito. Por várias vezes expliquei que isso sucedia contra a minha vontade, por ditadura do computador, que clonava para aqui esse curriculum a partir de outros meus blogs.

Mas nada como uma mal encarada manhã de domingo para tentar encontrar a solução. Porque os computadores só são ditadores até certo ponto!

Zé Oliveira
(Coordenador do blog Lumege)